Casa Tulipa amplia rede de apoio e passa a atender mais de 700 famílias
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- 25 de mar.
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A trajetória de Bernadete Prates, aluna da primeira turma do programa Mulheres Transformam, é um exemplo de como o acesso à formação pode fortalecer iniciativas que já nascem com propósito. Fundadora da ONG Casa Tulipa, ela transformou um espaço de acolhimento criado durante a pandemia em uma rede de apoio essencial para centenas de mulheres em Porto Alegre.
Para ela, a formação no programa Mulheres Transformam teve um papel importante nesse processo de estruturação e crescimento da iniciativa. A experiência foi essencial para fortalecer sua atuação à frente da Casa Tulipa. “Foi ótimo, aprendi muita coisa e trocamos muitas figurinhas. Conheci o trabalho de outras pessoas, até pude ajudar algumas meninas que não sabiam escrever e dei um auxílio em questão de alfabetização depois”, conta.

Foto: Arquivo Casa Tulipa
Atualmente, a organização atende cerca de 750 famílias na Restinga, sendo 522 mulheres vítimas de violência doméstica, abuso sexual ou outros tipos de trauma. Mais do que oferecer abrigo e assistência emergencial, o espaço também tem o objetivo de promover a autonomia de cada mulher atendida. Hoje, a Casa Tulipa conta com uma ampla rede de voluntários. “Temos um grupo de 14 psicólogas que vem toda sexta-feira atender as meninas aqui na ONG. Também temos o apoio jurídico oferecido por uma advogada parceira”, explica.
Mesmo diante de desafios como o transporte e logística, o trabalho voluntário segue acontecendo para garantir o atendimento às mulheres. Há mais de dois anos, a ONG também distribuiu marmitas para as famílias acolhidas. Atualmente, mais de 700 marmitas são entregues por semana, sendo mais de 3 mil por mês. Embora tenha surgido na pandemia, a Casa Tulipa firmou seu funcionamento durante as enchentes de 2024. Bernadete foi uma das pessoas que auxiliou nos resgates em canoas e pode ver de perto a violência em alguns abrigos. Foi neste período que ela decidiu agir dando seguimento à ONG. Desde então, sua atuação vem crescendo e hoje a Casa oferece cursos de empreendedorismo, alfabetização e vendas, além de atividades práticas como artesanato, padaria e costura.
No entanto, Bernadete explica que a sustentabilidade financeira ainda é um dos principais desafios. É por isso que, cada vez mais, a equipe busca por patrocínios e parcerias. Recentemente, a EAT Kitchen se aproximou da Casa Tulipa para uma ação especial de Dia da Mulher, se trata do lançamento de um prato solidário, cuja venda ao longo do mês de março terá a renda revertida para a compra de um forno e um freezer para a Casa.
Entre desafios e avanços, a Casa Tulipa segue ampliando seu impacto na comunidade e se consolidando como uma rede de apoio fundamental para mulheres em situação de vulnerabilidade. Principalmente com o apoio da equipe voluntária, a iniciativa continua transformando histórias e abrindo caminhos para que cada vez mais mulheres possam recomeçar com autonomia.


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