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Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas: empreendedorismo e resistência

  • Foto do escritor: Territorialize
    Territorialize
  • 7 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

Alunos do projeto Horizontes para Jovens Indígenas: empreendedorismo também é uma forma de resistência
Alunos do projeto Horizontes para Jovens Indígenas: empreendedorismo também é uma forma de resistência

No dia 7 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, uma data que simboliza a resistência, a autonomia e a valorização das culturas indígenas no país. Diante de desafios históricos e contemporâneos, os povos indígenas seguem buscando formas de fortalecer suas comunidades e garantir sua independência econômica.


Os povos indígenas enfrentam uma série de desafios que afetam sua qualidade de vida e autonomia. Desde a colonização, essas comunidades lidam com a perda de terras, a violência, o preconceito e a dificuldade de acesso a direitos básicos, como educação e saúde. Além disso, há um crescente índice de vulnerabilidade social, agravado pela falta de oportunidades de emprego e pela desvalorização de práticas ancestrais de subsistência.


Desafios históricos, que remontam à invasão de seus territórios, contribuíram para a desestruturação de suas formas de organização social e econômica. Atualmente, a falta de oportunidades de estudo e trabalho dificulta a permanência de muitos jovens indígenas em suas comunidades. E, por fim, vemos altos índices de suicídio entre jovens indígenas, resultado da perda de perspectivas, desestruturação comunitária e marginalização social.


Empreendedorismo como ferramenta de transformação


Diante desse cenário, são necessárias múltiplas frentes de ação para proteger os direitos e as dignidades dessa população. De um lado, políticas públicas e a demarcação de suas terras podem garantir a autonomia e subsistência dos diferentes povos. E, de outro, o empreendedorismo surge como uma ferramenta estratégica para promover a transformação social, resgatando a autoestima das juventudes indígenas e promovendo autonomia financeira.


O empreendedorismo indígena vai além da geração de renda. Ele se configura como um meio de valorização cultural, permitindo que os saberes ancestrais sejam preservados e transformados em negócios sustentáveis. Nesse cenário, iniciativas como o Projeto Horizontes para Jovens Indígenas desempenham um papel fundamental. Ao adaptar técnicas de mercado às realidades e tradições dos povos indígenas, o projeto garante o desenvolvimento econômico das comunidades sem comprometer sua identidade cultural.


Mãe indígena com a filha durante uma das aulas do projeto: autonomia e apoio para quem precisa
Mãe indígena com a filha durante uma das aulas do projeto: autonomia e apoio para quem precisa

Realizado pelo Instituto Besouro em parceria com a Secretaria Nacional de Juventude e a Cooperação da Juventude Amazônida para o Desenvolvimento Sustentável (COJOVEM), o projeto foi desenvolvido com o objetivo de capacitar jovens indígenas entre 18 e 29 anos em técnicas de empreendedorismo. Os principais impactos da iniciativa incluem:


  • Autonomia financeira: ao criar e fortalecer seus negócios, os alunos conseguem gerar renda e reduzir a dependência de políticas assistenciais.

  • Valorização da cultura: empreendimentos indígenas geralmente envolvem artesanato, medicina tradicional, turismo comunitário e produção sustentável, garantindo que os negócios respeitem a cosmovisão indígena.

  • Inovação e sustentabilidade: modelos de negócios adaptados às realidades locais garantem que o crescimento econômico ocorra de maneira sustentável, preservando recursos naturais e saberes ancestrais.


Expansão e resultados


Desde sua implementação, o projeto certificou milhares de jovens indígenas em diversos estados brasileiros, incluindo Pará, Mato Grosso do Sul, Bahia e Rio Grande do Sul. Somente em julho e agosto de 2023, mais de 363 alunos receberam certificação nas formações realizadas no Pará e no Mato Grosso do Sul. Alguns destaques incluem:


  • 280 alunos certificados no Pará e Mato Grosso do Sul

  • 132 jovens Guarani Mbyá capacitados em Amambaí

  • 61 alunos da Terra Indígena Parakanã concluíram a formação

  • 22 jovens Suruí Aikewara da Terra Indígena Sororó certificados

  • 68 jovens Xikrin (Mebengôkre) capacitados na Terra Indígena Xikrin do Kateté


Além das capacitações, o projeto promove um acompanhamento pós-formação, garantindo que os jovens possam desenvolver seus negócios com suporte técnico e estratégico.


Alunos com seus certificados: empreendedorismo indígena ajuda a preservar tradições
Alunos com seus certificados: empreendedorismo indígena ajuda a preservar tradições

O futuro do empreendedorismo indígena


O sucesso de iniciativas como o Horizontes para Jovens Indígenas demonstra que o empreendedorismo pode ser uma ferramenta poderosa para garantir a autonomia econômica e cultural dos povos indígenas. Ao proporcionar conhecimento técnico e oportunidades reais de geração de renda, o projeto fortalece as economias locais e cria um futuro mais promissor para as juventudes indígenas.


No Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrar iniciativas como essa é fundamental. A luta dos povos indígenas vai além da demarcação de terras: ela envolve o direito de existir, empreender e fortalecer saberes e culturas.


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