Empreendedora transforma habilidade no crochê em negócio com apoio do Bora!

Artesã ampliou as vendas de bolsas autorais e encontrou no programa ferramentas para profissionalizar o negócio

Uma bolsa de crochê feita para uso pessoal foi o ponto de partida para uma nova trajetória na vida de Carla Jaqueline Borges, 57 anos, aposentada da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Há cerca de um ano, enquanto passeava pela Administração Regional de Brazlândia, ela chamou a atenção de um coordenador cultural que elogiou a peça e perguntou se estava à venda.
Na época, Carla produzia bolsas e outras peças de crochê apenas para si e para presentear familiares. “Ele me falou que eu estava perdendo tempo, que minhas bolsas eram muito bonitas e que podiam ser vendidas. Hoje eu falo que foi um anjo na minha vida porque organizou tudo para mim, desde a carteirinha de artesã até minha participação na primeira feira”, conta Carla.
Foi esse incentivo que abriu caminho para que o artesanato se transformasse em uma fonte de renda. Desde que iniciou a Fio Mágico, Carla participou de quatro feiras e passou por duas lojas. Ela conta que, em uma das últimas feiras de que participou, levou 40 bolsas para vender e voltou para casa com apenas 12. As peças, que ela classifica como bolsas de crochê de luxo, são produzidas com atenção aos detalhes e têm como principais atributos a personalização e o acabamento com forro. Alguns modelos também contam com alças confeccionadas a partir de tampinhas de garrafas, recolhidas pela família e transformadas em acessórios com a ajuda do marido.
O interesse pelo crochê é antigo. Carla aprendeu a técnica com uma tia que também lhe ensinou a bordar. Ao longo dos anos, produziu tapetes, peseiras e amigurumis para a família. “A minha neta de sete anos tem uma coleção de princesas da Disney que eu fiz para ela e meu neto tem alguns dinossauros”, comentou.
Ela conta que a sua primeira bolsa foi fabricada a partir de uma necessidade pessoal. Convidada para um casamento, Carla não encontrou um modelo de que gostasse por um preço acessível. Foi então que decidiu procurar por tutoriais e acabou produzindo a própria peça.
A transformação do talento em negócio
Por meio de uma amiga da associação de artesãos, Carla conheceu o Bora!. Inicialmente sem grandes expectativas, decidiu participar pela oportunidade de fazer algo diferente. A experiência, porém, trouxe conhecimentos que passaram a fazer parte da rotina do empreendimento. “O Bora! me ajudou muito. O principal ponto foi a precificação”, afirma.
Com as orientações recebidas, Carla começou a rever o valor das peças e a organizar melhor os recursos financeiros do empreendimento. O programa também ensinou à artesã a importância de investir na apresentação dos produtos, o que incentivou Carla a adquirir sacolas personalizadas com sua marca e cartões de visita.

E as mudanças trouxeram bons resultados. O crescimento das vendas já leva Carla a considerar a contratação de ajuda para aumentar a produção, mas sem abrir mão das características que tornam suas peças únicas. “A demanda está aumentando muito, então busquei alguém para me auxiliar. Ele vai fazer a estrutura da bolsa, e eu fico responsável pelo acabamento. Já vai me ajudar bastante”, explica.
As oportunidades de comercialização também se ampliaram. Carla recebeu convites para expor suas peças em três novos espaços em Brasília, incluindo o Shopping JK, o Pátio Brasil e a CasaCor. Além disso, está entre as finalistas de um concurso de artesanato do Sebrae no Distrito Federal, com uma de suas bolsas.
Com uma trajetória que começou a partir de um elogio inesperado, Carla encontrou no empreendedorismo uma nova maneira de valorizar uma habilidade cultivada ao longo da vida. Hoje, almeja cada vez mais levar suas peças a diferentes lugares e pessoas.



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