Empreendedorismo afro: quebrando barreiras e fazendo a diferença
- Territorialize

- 17 de abr. de 2023
- 3 min de leitura

O afro empreendedorismo promove inclusão social e econômica de pessoas negras que enfrentam diversas barreiras para se inserir no mercado de trabalho. Vamos conhecer as histórias de três alunos que participaram de cursos de empreendedorismo oferecidos pela Besouro de Fomento Social. Eles vão nos contar como a educação empreendedora transformou suas vidas e como seus negócios contribuem para valorizar a cultura e identidade afro-brasileira.
Ela encontrou sua vocação nas tranças africanas
Isabel Goulart Mello, de 33 anos, é uma empreendedora de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, que encontrou sua paixão na arte de fazer tranças africanas. Tudo começou com um simples hobby, mas com o tempo ela decidiu empreender. “Eu gosto muito de tranças, então quero virar profissional", conta.
Atualmente, Isabel divulga seus trabalhos pelas redes sociais e atende clientes em domicílio. Seus maiores sonhos são: ter um espaço próprio onde possa atender ainda mais pessoas e dar uma vida melhor para seus filhos.
Isabel participou do programa Empreende POA, no qual aprendeu a ser criativa, gerir seu negócio de forma mais produtiva e captar mais clientes. "Foi maravilhoso! Muito obrigada pela oportunidade. Deus abençoe a todos nós", afirma. Ela conta que o curso a ajudou a economizar mais e superar algumas dificuldades no início do negócio.
O empreendedorismo de Isabel é inspirador e mostra que é possível encontrar sua paixão e transformá-la em um negócio de sucesso. "Deus sempre me motiva e me ajuda a ter determinação", conclui.
Daí Confecções destaca-se com confecção de roupas afro-religiosas
Daiane e seu grupo religioso, todos vestidos com suas confecções. Foto: Acervo pessoal.
Daiane Prado é uma pessoa criativa e as roupas que ela confecciona provam isso, todas muito coloridas e adaptadas ao gosto dos seus clientes, compondo um visual único. Ela decidiu começar o próprio negócio, chamado Daí Confecções, em razão da necessidade, pois buscava encontrar uma fonte de renda que provesse o seu sustento em um momento crítico da sua vida. Então ela arregaçou as mangas e descobriu na costura uma verdadeira paixão.
A moradora do bairro da Restinga, Zona Sul da capital gaúcha, conta que durante a pandemia da covid-19, em 2020, ficou desempregada, mas decidiu investir em algo novo, sem desanimar. "Como eu sabia costurar desde os 14 anos, comecei a confeccionar máscaras para proteção facial e a venda foi ótima", relembra.
A costureira começou vendendo máscaras simples mas em pouco tempo já estava confeccionando itens mais personalizados, que atraíam mais clientela. Dessa forma, todo o dinheiro que entrava com a venda das máscaras e consertos de roupas foi sendo investido.
Atualmente, o foco da loja é a venda de peças religiosas, mas ela também presta outras categorias de serviços como: consertos de roupas, confecção de vestidos para festas de 15 anos e até costura de toldos e gazebos.
Buscando novos conhecimentos em empreendedorismo, Daiane participou da capacitação Empreende POA. Ela aprendeu muito sobre organização financeira e, aos poucos, foi se desenvolvendo. Daiane aprendeu que não pode fazer tudo sozinha e que em algumas áreas vai precisar de alguém para a ajudar. A empreendedora confessa que não é muito boa com a internet e redes sociais, mas gosta de aprender um pouco de tudo. "O curso me mostrou que posso ir além das minhas expectativas e, por isso, iniciei uma faculdade de design de moda", relata.
Daiane, confiante do seu sucesso, tem o sonho de fazer sua marca ser reconhecida em todo o Brasil. Em menos de um ano de empresa, realizou uma exposição que fez sucesso na Restinga e, com isso, foi pioneira em um desfile de roupas afro-religiosas, conquistando até uma cliente da Bahia.
Bonés pensados para quem tem cabelos crespos e cacheados
O projeto 2jBonés surgiu a partir da necessidade de Jefferson Neves dos Santos Junior, de 31 anos, em obter uma renda extra. No entanto, o negócio acabou se tornando sua principal fonte de sustento. Inicialmente, ele pensou em trabalhar com eletrônicos e roupas, mas decidiu se aventurar no mercado de acessórios após a pandemia. O negócio se concentra em fornecer bonés para o público com cabelos cacheados e crespos, focando nesse nicho de mercado.
Atualmente, Jefferson ainda busca o retorno financeiro esperado, mas destaca a importância das conexões feitas com outros empreendedores e a satisfação do público ao experimentar o produto. Ele enxerga o desafio como algo positivo e que o motiva a seguir em frente. “Depois de meses estudando a ideia foi o momento de ir atrás dos fornecedores para então investir e mandar produzir”, conta.
O jovem participou do curso de empreendedorismo Gerdau Transforma e afirma ter evoluído muito com as aulas. Ele aprendeu a importância de ser criativo e inovador, além de ter explorado temas sobre planejamento financeiro e gestão de equipe. “O curso me ajudou a entender um pouco mais sobre o mundo do empreendedorismo”, diz.



Comentários