Marca de migrante venezuelano é uma das mais lembradas no Top of Mind 2022 de Caxias do Sul
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- 4 de abr. de 2023
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Alfonzo Heredia é um migrante venezuelano que idealizou o próprio negócio, no ramo de estofamentos automotivos, após participar da primeira turma do curso Migrante Empreendedor, uma parceria entre a Besouro de Fomento Social e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) da ONU. O objetivo da iniciativa foi ampliar conhecimentos e oportunidades para migrantes e imigrantes no Brasil. Entre 2020 e 2021 forma 150 negócios, liderados por pessoas desses públicos, incubados. Entre eles estava Alfonzo!
No ano passado a Alfonzo Estofaria Automotiva colheu os frutos de sua dedicação e excelência nos serviços prestados ao ser premiada pelo Top of Mind 2022 como a marca mais lembrada no ramo em Caxias do Sul, cidade da serra gaúcha. O evento ocorreu no dia 25 de novembro e contemplou mais de 160 categorias por meio de pesquisa popular.
Atualmente, o empreendimento de Alfonzo é conhecido e procurado por seus serviços personalizados no ramo de estofamento automotivo, mas também atende a área residencial. O empreendedor afirma que busca sempre atuar com materiais de alta qualidade e garante que possui um jeito de trabalhar diferenciado, algo que destaca a sua empresa das demais. “O que nos diferencia é que fazemos trabalhos personalizados nas costuras, acabamentos. Na hora de montar um projeto, por exemplo, temos alguns onde pintamos painéis, portas, laterais e teto, então o serviço fica bem caprichado”, conta o profissional.
Apesar do grande sucesso que conquistou com o seu negócio, as coisas nem sempre foram fáceis para Alfonzo. Migrante da Venezuela, o empreendedor conta que passou por problemas de saúde ao chegar no Brasil e, por conta disso, teve dificuldade de se encaixar no mercado de trabalho. Antes de desenvolver sua empresa, o profissional trabalhou em supermercados e fez até bicos para se sustentar. “Chegamos aqui sem nada, ninguém acredita em você. Procurei pessoas em busca de ajuda, mas é difícil, cada um tem sua própria situação”, afirma o empreendedor, que destaca o impacto positivo na sua vida ao ter a própria empresa, principalmente por conta da estabilidade financeira.
Bem-humorado, Alfonzo garante que seu maior sonho para o futuro é conquistar muitos serviços e poder contar com parceria financeira. Ele conta que apesar de trabalhar fortemente e não ter dívidas com ninguém, encontra muitas portas fechadas na hora de procurar ajuda, por exemplo, de bancos, e acredita que isso ocorre pelo fato de ser estrangeiro. Outros objetivos que desejam ser alcançados pelo profissional remetem a conquista de novos maquinários, além de aumentar o número de trabalhos semanais.
Resgatando suas mais profundas memórias, o empreendedor relembra a principal razão pela qual decidiu migrar para o Brasil: seus filhos. Segundo ele, a situação econômica na qual se encontrava vivendo na Venezuela junto de sua família era péssima, principalmente relacionada à escassez de alimentos. “A gente chegou numa situação em que a mamadeira deles era abóbora, sem açúcar ou leite, sem nada, apenas ela”, afirma Alfonzo, que mesmo saindo para trabalhar de madrugada e voltando apenas à noite, não conseguia comprar nada além de três fraldas, um quilo de farinha e três ovos para sustentar sua família. A situação com as crianças só piorava, sua esposa chegou a pesar 35 quilos e ele entrou em um estado depressivo e ansioso por conta de tudo que estava vivendo. “Vendemos tudo o que tínhamos, e o que sobrou deu para pagar a passagem e só. Chegamos no Brasil com quinhentos reais, duas malas e uma máquina de costura”, conta.
Recém-instalado em solo brasileiro, Alfonzo prontamente fez seu currículo e começou a busca por uma colocação no mercado de trabalho, mas encontrou dificuldades: desvalorização, preconceito e desinformação por conta de ser um estrangeiro. Ele conta sobre situações em que as empresas queriam se aproveitar do fato dele ser estrangeiro para pagar menos pelos serviços.
Outro ponto destacado pelo empreendedor é relacionado ao protocolo de refúgio e a dificuldade de ser admitido pelos estabelecimentos por conta dele. “Muitos empregadores não contratam por conta da burocracia, não sabem como cadastrar, é bem complicado”, diz o profissional, também evidenciando a desinformação por parte do RH das empresas, que na maioria das vezes não sabem como funciona o protocolo refúgio e chegam a pensar que estrangeiros estão ilegais no país.
Falando sobre o curso Migrante Empreendedor, Alfonzo garante que a capacitação chegou no momento certo em sua vida. Obtendo conhecimentos que o auxiliaram na abertura do seu negócio de sucesso, o empreendedor destaca o ótimo trabalho realizado pelos professores e conta como sempre buscava tomar notas dos ensinamentos e aplicar o que julgava ser mais importante. “Aprendi muitas coisas. Agora, a gestão do meu negócio é baseada no que estudei em sala de aula, então para mim foi mais de 100% proveitoso”, afirma.
Após concluir a capacitação, o empreendedor conta que enfrentava uma situação bem difícil e não tinha dinheiro nem para pagar o aluguel. Foi então que alguém o relembrou do benefício disponibilizado a todos os alunos que realizaram o curso (algo recorrentemente oferecido nos projetos desenvolvidos pela Besouro) e se deparou com um saldo de quinhentos reais na conta. Alfonzo afirma que foi um momento de grande emoção, como se aquele dinheiro tivesse caído do céu.
Falando sobre sua premiação, o profissional define a sensação como muito gratificante. “Sentimos aquela emoção de saber que tudo aquilo pelo que lutamos, choramos e perdemos o sono não foi em vão”, conta. Ele também relembra algo dito pelos professores em sala de aula sobre a fé ser a última coisa que deve ser perdida, e esse é o mesmo conselho que oferece a todos aqueles que estão pensando em abrir um negócio. O empreendedor também fala sobre não escutar pessoas ou comentários negativos e ter confiança em si mesmo e no seu serviço além de, é claro, não perder a humildade.
“Pessoas que estão dentro do curso, aproveitem ao máximo, muitas vezes não é só a parte econômica que importa”, finaliza.



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