Confeiteira haitiana transforma experiência em empreendimento no Brasil

Aluna do Refugiadas Empreendedoras aprende a organizar gestão de sua confeitaria e amplia as perspectivas de crescimento em Porto Alegre

Depois de investir durante anos em qualificação profissional e conhecer o mercado brasileiro, a confeiteira haitiana Megane Georges encontrou na gestão o ingrediente que faltava para transformar sua experiência e talento em um negócio estruturado e preparado para crescer. A ajuda que precisava veio com a participação no projeto Refugiadas Empreendedoras.
Quando chegou ao Brasil, em 2017, a haitiana já trazia na bagagem uma trajetória no ramo da confeitaria. No país de origem, ela se formou na área, trabalhou em restaurantes e produziu doces para eventos. Para se adaptar à nova realidade, no entanto, retomou os estudos buscando conhecer melhor os ingredientes, técnicas e sabores locais e ganhar segurança para se inserir profissionalmente no mercado brasileiro.
Inicialmente, buscou o trabalho formal atuando em restaurantes e padarias de supermercados. Mais tarde, passou a investir na atividade por conta própria como fonte de renda extra ao trabalho com carteira assinada e começou preparando bolos e doces em casa para familiares e amigos experimentarem. Hoje, aos 30 anos, ela concilia o emprego formal em um hotel com a produção independente.
Quando participou do projeto Refugiadas Empreendedoras, Meganne já empreendia há cerca de um ano com sua marca, a M&G Delícia Confeitaria. Ainda assim, ela sentia que faltavam conhecimentos para organizar melhor o negócio e fazê-lo crescer.
Até então, ela primava pela qualidade dos produtos, mas lhe faltavam ferramentas de gestão. As despesas pessoais e do empreendimento eram misturadas, os custos de produção não eram calculados de forma precisa, e o negócio ainda não era formalizado. “Eu não sabia separar os gastos pessoais e os do negócio. Era tudo misturado. Não sabia nem quanto gastava nem quanto lucrava”, conta.



Com a mentoria personalizada, a confeiteira aprendeu a organizar as finanças, calcular os orçamentos e a controlar estoque e produção. Também começou a investir na apresentação profissional da marca, com cartão de visitas, recibos e a formalização do empreendimento. “O curso me motivou muito. Eu não tinha cartão de visitas, recibo ou CNPJ. Isso faz muita diferença, dá mais segurança aos clientes e vai me ajudar a crescer”, afirma.

Outro aprendizado importante foi reconhecer o valor do próprio trabalho. Compreendendo melhor a precificação e os custos de produção, Megane ajustou os preços de seus produtos e melhorou a margem de lucro sem perder clientela. “Quando a pessoa gosta do produto e do serviço, ela não se importa de pagar pela qualidade oferecida”, destaca.
Atualmente, a maior parte dos clientes da M&G Delícia Confeitaria ainda é formada pela comunidade haitiana, mas Meganne quer ampliar seu público. O próximo objetivo é conquistar um espaço físico próprio em uma região movimentada de Porto Alegre. “Eu quero crescer mais, avançar para ter um espaço físico próprio. Primeiro, preciso trabalhar, ganhar dinheiro, para depois investir e fazer acontecer”, planeja.
Para Meganne, a capacitação foi fundamental para transformar o conhecimento técnico e a dedicação à confeitaria em um caminho mais organizado para o futuro. Ela acredita que oportunidades como essa podem ajudar outros empreendedores que possuem talento e vontade de começar, mas ainda precisam encontrar uma direção. “É bem difícil no início. Muitas vezes as pessoas desistem no meio do caminho por não saberem como continuar. Quanto mais conhecimento, mais chance de ir adiante e não desistir. O curso foi uma oportunidade de ouro para a gente”, finaliza.


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