Empreendedora da Rocinha conquista reconhecimento nacional com negócio criado para preservar memórias

Com estratégia, capacitação e inovação, Angela Coelho criou a marca Criando Memórias e foi destaque em iniciativas de empreendedorismo e turismo

Empreender muitas vezes nasce da necessidade, mas cresce pela coragem de transformar, como reflete a trajetória da carioca Angela Coelho, de 45 anos, moradora da Favela da Rocinha, na capital fluminense.
Durante 14 anos, ela garantiu o sustento de suas duas filhas confeccionando cestas de café da manhã personalizadas. Hoje, após passar pela capacitação Decola Negócios, ela comanda a Criando Memórias, um negócio focado na personalização de canecas e azulejos que eterniza momentos especiais para moradores e turistas de todo o mundo.
O primeiro passo da sua jornada começou em 2008, quando Angela conciliava o trabalho por conta própria com o emprego de operadora de caixa. Com o tempo, as canecas com mensagens personalizadas que acompanhavam as cestas passaram a atrair a atenção dos clientes e viraram um foco extra de vendas. Um dos produtos mais vendidos passou a ser a "caneca mágica", que revela imagens e mensagens apenas quando preenchida por líquido quente, surpreendendo quem é presenteado.
O objetivo de Angela, de transformar memórias afetivas em recordações físicas, estava se consolidando. No entanto, faltavam ferramentas de gestão – muitos produtos eram vendidos sem o cálculo correto dos custos, o que comprometia o lucro.
As mudanças começaram com a capacitação. Ao aprender a precificar corretamente, o faturamento cresceu. Pela primeira vez, Angela conseguiu comprar insumos à vista e negociar com fornecedores. “Antes, parecia que eu estava secando gelo. O curso deu uma base de cálculos que eu não tinha. Hoje, ver o resultado financeiro do meu trabalho é muito bom”, comemora.
Além de organizar a precificação e o caixa, a capacitação transformou a visão que Angela tinha de si mesma e sua forma de atuar profissionalmente. “Eu achava que empreender era só o que fazia dentro de casa e vi que existia todo um mundo de outras oportunidades. Depois de anos trabalhando sozinha, a gente fica no mais do mesmo, não se transforma. Fechada naquele mundinho, cobre os gastos achando que está bom e acaba se congelando”, relata a empreendedora.
E completa, ao analisar o impacto da capacitação: “Foi maravilhoso! No contato com outras empreendedoras, você vê que não está sozinha com seus medos. Aprendi que, em time que está indo bem, se mexe, sim. E disse para mim mesma: ‘Angela, você pode mais do que isso’.”

Dessa metamorfose, nasceu oficialmente a marca Criando Memórias e, em apenas três meses, antes mesmo de encerrar a consultoria, a capacitação mudou concretamente a realidade da empreendedora, trazendo novas oportunidades e perspectivas para o negócio. De olho no turismo local, Angela desenvolveu o projeto Olhares da Rocinha, que estampa fotos históricas da comunidade em canecas e azulejos — uma solução prática e leve para os turistas levarem consigo. A ideia, que agradou também os moradores da comunidade, desejosos de estampar em suas casas as memórias e a história da Rocinha – foi fruto de estudos: “O curso me ensinou que é preciso pesquisar nosso público”, afirma Angela.
A iniciativa foi tão inovadora que conquistou o segundo lugar em uma seleção da Embratur para o turismo de base comunitária. “Com o curso, tive a base que precisava para participar. A consultora estava sempre insistindo ao meu lado: ‘Você é empreendedora, você consegue!’. A capacitação não abriu portas para mim, escancarou”, comemora Angela.
Impulsionada pela rede de contatos construída durante a capacitação, Angela foi selecionada para o Top Empreendedor Sebrae, no Rio de Janeiro, e para a iniciativa Empreende Aí, desenvolvida em São Paulo com foco em pitches de vendas, que vai premiar as melhores apresentações.
Para o futuro, o plano é ambicioso: sair do ambiente doméstico, conquistar um espaço físico próprio e expandir a rede de revendedores. “Estou colocando em prática tudo o que posso do curso. Há 18 anos, precisei empreender sozinha, e é bem mais difícil. É muito bom ter empresas que nos ajudam a ver nossa capacidade e nosso valor. Hoje, se tiver dificuldade, sei que tenho a quem recorrer”, comemora a empreendedora.


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