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Entre idas e vindas, manicure gaúcha molda rotina para conciliar trabalho e saúde dos filhos

  • Foto do escritor: Territorialize
    Territorialize
  • 2 de jun.
  • 3 min de leitura

Rede de apoio familiar permitiu que mãe empreendedora retomasse a carreira após várias pausas necessárias na jornada


Daniela junto aos três filhos: para mães empreendedoras, o trabalho de cuidado anda lado a lado com o trabalho exigido por seus empreendimentos
Daniela junto aos três filhos: para mães empreendedoras, o trabalho de cuidado anda lado a lado com o trabalho exigido por seus empreendimentos

Nascida no Vale dos Sinos, no interior do Rio Grande do Sul, Daniela Mendonça do Amaral tem 43 anos, é manicure e mãe de três filhos – dois adolescentes e um menino de 7 anos. Aprendeu o ofício de forma autodidata, apenas observando outras profissionais, e começou a trabalhar aos 15 anos, atendendo clientes em domicílio. Hoje, recebe as clientes na casa onde mora, nos fundos do terreno da mãe, em Esteio (RS).


Ao longo da vida, precisou interromper a carreira em diferentes momentos para conciliar o trabalho com as demandas da maternidade. A cada pausa, reorganizou a rotina e encontrou formas de retomar a atividade, construindo sua trajetória profissional em paralelo à criação dos filhos.


A primeira pausa foi na gravidez do primeiro filho, Kelvin. Um ano depois, nasceu Adrian, e Daniela só conseguiu retomar a atividade de manicure cinco anos depois, contando com o apoio da mãe. “Ela ficava com os meninos para eu trabalhar. Sem ela, não teria como, era muita coisa pra cuidar”, lembra a empreendedora.


Crescidos, os filhos passaram a contribuir transportando, de bicicleta, a maleta de materiais de atendimento de Daniela até a casa das clientes. Para Daniela, o gesto era importante não apenas pelo suporte prático, mas para que eles vissem a mãe buscando a própria independência profissional.


Rede de apoio e desejo de aprender ajudam empreendedora a priorizar o desenvolvimento profissional


Em abril de 2026, mesmo conciliando os cuidados com os filhos, a rotina da casa e o atendimento às clientes, Daniela reservou um tempo para participar da capacitação Baita Empreendedor - Reconstrução, realizada em parceria com o Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Ainda que sua agenda seja limitada pelas demandas familiares, ela não quis abrir mão da oportunidade de desenvolvimento profissional. “Tem que ser”, resume Daniela sobre a decisão de participar do curso mesmo em meio à rotina intensa da casa.


“É puxado, principalmente com dois adolescentes. Priorizo os filhos, claro, mas também quero aprender mais”, pontua. Para ela, o grande diferencial da capacitação foi a troca de experiências e as conexões que deram origem a novas amizades. “Cada uma tinha uma história diferente, mas muitas dificuldades eram parecidas. A gente aprende com o que a outra viveu e vê que não está sozinha”, afirma. 


O apoio da família é fundamental para as mães que escolhem empreender
O apoio da família é fundamental para as mães que escolhem empreender

A busca por qualificação acontece em uma trajetória marcada por desafios pessoais e familiares. Em 2021, a família enfrentou um período delicado após um dos filhos sofrer racismo na escola durante a adolescência e tentar suicídio. Daniela interrompeu o trabalho por três anos para acompanhá-lo de perto em seu processo de recuperação emocional.


Pouco tempo depois, o filho mais novo foi diagnosticado com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), levando-a a interromper novamente as atividades por mais um ano. Segundo ela, os sinais já apareciam desde a pré-escola e demandaram investigação clínica e acompanhamento especializado até a confirmação do diagnóstico. Desde então, a rotina familiar passou a incluir consultas, terapias e acompanhamento constante.


A empreendedora destaca a importância da rede de apoio, elemento fundamental para que consiga oferecer ao filho o suporte necessário sem abrir mão do trabalho. “Foi bem complicado. Agora a situação está mais estabilizada. Tenho a ajuda da minha mãe e do meu marido e tudo está se ajeitando”, avalia Daniela.


Para ela, o suporte financeiro do esposo também tem sido decisivo para compensar a ausência de renda nos períodos em que precisou interromper as atividades e nas oscilações naturais do negócio durante os meses mais frios do ano. “Gosto de ter meu dinheiro. A gente se ajuda como pode”, afirma.


Daniela conta que nunca quis trabalhar em salões de beleza por causa da timidez e hoje percebe que a decisão acabou se tornando a alternativa mais compatível com sua realidade. A flexibilidade de atender por conta própria permitiu adaptar a rotina às necessidades da família — algo que, segundo ela, seria inviável em um emprego com horários fixos.


Mesmo diante das interrupções e recomeços ao longo do caminho, desistir nunca foi uma possibilidade. “Eu amo o que faço. Sou aquela manicure e pedicure raiz, que coloca o pé de molho, faz massagem e prepara café com bolinho pra esperar as clientes. Nem pensar em desistir”, finaliza a empreendedora.


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