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Metodologia By Necessity passa por aperfeiçoamentos para atender ao setor rural

  • Foto do escritor: Territorialize
    Territorialize
  • 24 de jun.
  • 4 min de leitura

Com o objetivo de fortalecer o empreendedorismo também no campo, a metodologia, que já é sucesso global ganha uma nova versão



A metodologia By Necessity, criada para ajudar pessoas que estão na base da pirâmide socioeconômica a planejarem empreendimentos – com investimentos iniciais nulos ou baixos –, passou por aperfeiçoamentos para atender um público mais específico: os empreendedores do setor rural. Para fomentar o empreendedorismo no campo, os conteúdos passaram por algumas adaptações, a fim de contemplar especificidades do setor. Com isso, a By Necessity agora poderá contribuir para impulsionar ainda mais o setor primário, um dos pilares da economia brasileira e fundamental para o desenvolvimento sustentável.  


Independentemente do âmbito em que se insira, o empreendedorismo é reconhecido por sua capacidade de criar riqueza, bem-estar e empregos e, assim, contribuir para a redução da desigualdade entre pessoas, regiões e nações. Isso porque costuma trazer consigo atributos favoráveis, como a identificação de problemas e oportunidades – assim como a busca por soluções para saná-los ou aproveitá-las, respectivamente –, além de estímulos à inovação, à colaboração e à tomada de decisões assertivas e responsáveis.


No campo, não é diferente. Principalmente quando se trata de um setor que combina relevância econômica, geração de renda e impacto direto nos territórios. Em 2025, o agronegócio nacional alcançou Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 3,20 trilhões, sendo aproximadamente R$ 2,1 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,1 trilhão no pecuário, ou seja, uma participação de 25,1% no PIB nacional, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), apurados em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). 


A atenção ao empreendedorismo no campo, especificamente, cresceu nos últimos anos, ainda que o conceito venha sendo definido – e redefinido – várias vezes desde os anos 1990. Um dos autores pioneiros em relação ao assunto, o norte-americano Max Wortman*, o definiu como “a criação de uma organização que introduz um novo produto, serve ou cria um novo mercado, ou utiliza uma nova tecnologia em um ambiente rural”. Os impactos positivos do empreendedorismo agropecuário são exaltados, por exemplo, pela Organização das Nações Unidas (ONU), que o considera um mecanismo para prover subsistência, abrir caminhos para a resiliência dos produtores, fomentar o desenvolvimento comunitário e incentivar a permanência das pessoas no campo, em especial os mais jovens. 


No contexto brasileiro, quase 80% das propriedades rurais são familiares – ou seja, de pequeno porte –, onde atuam mais de 10 milhões de pessoas. A By Necessity encontra, portanto, terreno fértil para disseminar-se pelos campos do país. Afinal, foi pensada e formatada desde o início para atender prioritariamente pessoas com menor poder aquisitivo e/ou maior vulnerabilidade socioeconômica, oferecendo-lhes condições de gerar renda e melhorar a qualidade de vida.


Entenda as adaptações


A adaptação da By Necessity para o meio rural preserva pilares que fazem dela uma referência global para incentivar o empreendedorismo em meios urbanos. Em cinco dias de aulas, com interação e trocas de experiências entre facilitadores e participantes, são percorridas dez etapas de aprendizado, que começam pela compreensão do que é empreendedorismo rural e pela identificação de sonhos, visão e objetivos de cada aluno, bem como pela descrição de diferentes perfis de donos de negócios.


A partir daí, são abordados aspectos específicos, fundamentais para a abertura e/ou manutenção de empreendimentos no campo. Entre eles, networking, agregação de valor a produtos e serviços, criação de logomarcas e slogans, elaboração e aplicação de pesquisas e testes de mercado, análise de Forças, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças (a matriz Fofa), formulação de estratégias de marketing e a definição de canais de venda, além de uma série de temas relacionados a finanças. Esses últimos, que incluem precificação, custos fixos e variáveis, fluxo de caixa e pró-labore, são cruciais para ajudar os agropecuaristas a manter empreendimentos sustentáveis. O contato com todos esses assuntos dá aos produtores os elementos necessários para que, no último dia de aula, estejam com seus planos de negócios definidos. 


Após os encontros presenciais, os alunos ingressam em um período de incubação de 90 dias, durante o qual recebem orientações individualizadas de especialistas para que suas propostas de atividades tenham mais chances de se concretizar com qualidade. Com a By Necessity no campo, o empreendedorismo rural sai fortalecido, com mais conhecimento para quem deseja empreender no campo e novas oportunidades de criação de negócios e geração de renda, incentivando a autonomia dos produtores.


Projeto pioneiro 


A primeira experiência com a By Necessity entre produtores rurais já está em andamento, no estado do Rio de Janeiro, com o projeto Solo Vivo, realizado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Instituto Federal Fluminense (IFF). Ao todo, serão atendidos 600 agropecuaristas em 21 municípios das regiões Norte, Noroeste, Sul, Serrana e Médio Paraíba, que contarão com assistência técnica, análises produtivas e capacitações específicas, entre as quais a formação em empreendedorismo utilizando a metodologia By Necessity.




*WORTMAN JR., Max S. Rural entrepreneurship research: An integration into the entrepreneurship field. Agribusiness, v. 6, n. 4, p. 329-344, jul. 1990.


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