Sul Fluminense + Empreendedor forma operadores de drones

Capacitação gratuita prepara para profissão que voa cada vez mais alto no país, em que as aeronaves não tripuladas já são mais de 155 mil

Desde o mês de fevereiro, 14 jovens da região Sul do estado do Rio de Janeiro – em que estão municípios como Volta Redonda (RJ), Barra Mansa (RJ), Resende (RJ) e Porto Real (RJ) – podem alçar vôos em direção a uma nova profissão: a de operadores de drones. Eles participaram do curso gratuito oferecido pela Territorialize, organização social de fomento ao empreendedorismo e à educação para o futuro do trabalho. Foi ela que respondeu pela estruturação, pela execução e pelo acompanhamento pedagógico da formação dos pilotos.
A capacitação para operar drones integra o projeto Sul Fluminense + Empreendedor, que visa a estimular a criação de renda e a fortalecer a inovação na região. “A avaliação sobre o projeto é muito positiva. O curso aproximou os jovens de uma tecnologia com grande potencial de aplicação no mercado atual. A formação amplia o repertório técnico dos participantes e apresenta a eles novas possibilidades de atuação em áreas como produção audiovisual, fotografia, comunicação, inovação e empreendedorismo”, descreve Mayara Nicoli, da Territorialize, produtora do projeto.
Durante o período de aulas, os beneficiados aprenderam sobre temas como fundamentos de voo, segurança, aplicações possíveis para o equipamento, legislação, captação de fotografias e vídeos aéreos, e edição de imagens. Além disso, foram tratados aspectos relacionados à abertura de negócios, como formalização, precificação e marketing. Após a etapa de encontros presenciais, os alunos contaram com mentoria online por mais 90 dias, feita por profissionais que atuam com as aeronaves não tripuladas e/ou negócios, para aperfeiçoamento técnico, desenvolvimento de projetos e construção de catálogo de serviços.
Aquecido

O mercado de drones está aquecido no Brasil. Segundo dados do Sistema de Aeronaves Não-Tripuladas (SISANT), mantido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), indicam que, atualmente, há mais de 155 mil cadastrados. Há 9 anos, quando passou a ser obrigatório esse registro, elas somavam apenas 16,5 mil. Um dos ramos em que o uso dos equipamentos mais cresce é o da agricultura, em que, se estima, o número já ultrapassa 35 mil, um avanço de 12 vezes em relação a 2021. No campo, as aeronaves são utilizadas em atividades como as de pulverização e de aplicação de insumos. Outros segmentos em que o uso é intensivo incluem aerocinematografia, aeropublicidade e aeroinspeção, aerolevantamento e segurança e/ou defesa civil.
O mercado de equipamentos aquecido significa, consequentemente, a abertura de postos de trabalho para a operação dos drones. Outro ponto positivo é o de que os salários costumam ser atrativos, que em alguns casos superam R$15 mil. Para atuar profissionalmente, é necessário ter certificações de voo e, dependendo da área de atuação, realizar cursos específicos, como o de Aplicador Aeroagrícola Remoto (Caar), exigido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) de quem pretende prestar serviços no meio rural.
A capacitação no Sul Fluminense + Empreendedor permite aos egressos darem os primeiros passos em direção à carreira, mas vai além. “Ela contribui para o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade no uso da tecnologia, e com a construção de portfólios que podem apoiar os jovens em relação a oportunidades profissionais”, relata Mayara.


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