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Trânsito com Elas abre caminhos para empreendedoras cariocas

  • Foto do escritor: Besouro da Silva
    Besouro da Silva
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

Detran Mulher-RJ e Territorialize somaram forças para fomentar a geração de renda e o protagonismo feminino no setor de transportes e mobilidade


Formatura das alunas do Trânsito com Elas, no Rio de Janeiro
Formatura das alunas do Trânsito com Elas, no Rio de Janeiro

Em março de 2026, o projeto Trânsito com Elas capacitou 38 mulheres interessadas em embarcar no empreendedorismo ou aprimorar seus negócios. Realizado na sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ), no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), o curso, gratuito e presencial, teve como objetivo preparar especialmente interessadas em atuar no setor de transportes e mobilidade, no qual ainda são minoria.


Um levantamento do Data Gaudium de 2026 apontou que o público feminino ainda ocupa apenas 11% das vagas de trabalho como motoristas de aplicativo e 6% dos postos como entregadoras para apps. Já a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) informou que, também em 2026, as mulheres representam entre 18% e 19% dos vínculos formais de emprego no transporte no país. Quando analisadas funções operacionais, como condução de veículos de carga e passageiros, esse percentual é ainda menor: menos de 5%. Apesar de ainda baixos, esses índices vêm crescendo ano a ano, movimento considerado estratégico diante das transformações do setor, como a digitalização, a automação e a integração entre modais, além da reconhecida contribuição da diversidade de gênero para a inovação e a melhoria da gestão. Entre os condutores de veículos no Brasil, as mulheres já representam 45%.


“Mais do que oferecer conteúdos técnicos, o Trânsito com Elas propõe uma formação conectada à realidade das participantes. O programa foi pensado para aumentar o protagonismo feminino em um setor historicamente masculino, estimulando a independência econômica e a inserção qualificada das mulheres na cadeia produtiva da mobilidade urbana”, declarou Daiane Luna, do Detran Mulher RJ, braço da autarquia criado para promover o acolhimento, a segurança, a valorização e a autonomia do público feminino no trânsito e na sociedade.


Nas aulas do Trânsito com Elas, foi utilizada a metodologia By Necessity, criada para viabilizar a abertura de novos empreendimentos com baixo ou nenhum investimento inicial e qualificar a gestão de pequenos negócios. Ao longo dos encontros, as participantes percorrem 10 etapas que abordam, de forma prática e acessível, temas como planejamento financeiro, marketing, atendimento ao público e gestão de pequenos negócios. Ao final do curso, recebem uma logomarca exclusiva, certificado de participação e passam por um período de incubação de 90 dias, com mentorias e consultorias especializadas para apoiar o desenvolvimento de seus empreendimentos.


Da teoria à prática: empreendedorismo em movimento


“Foi muito gratificante acompanhar a evolução das alunas, ver o envolvimento delas durante o curso e perceber como saíram mais confiantes e com uma visão mais clara sobre suas possibilidades. As participantes conseguiram construir ideias conectadas às suas vivências e, em muitos casos, relacionadas ao setor de mobilidade e transporte, como pretendíamos”, celebra Mayara Nicoli, coordenadora de projetos da Territorialize. No total, 18 negócios foram criados ou impulsionados ao longo do curso.


Ana Cláudia, idealizadora do Ela Pilota
Ana Cláudia, idealizadora do Ela Pilota

Um deles é o Ela Pilota, empreendimento criado pela aluna Ana Cláudia Soares da Silva, 45 anos, moradora de Duque de Caxias (RJ), na Baixada Fluminense. Atualmente, ela já empreende no setor de transportes, prestando serviços como despachante documentalista por meio de sua empresa, a DAC. Após participar do Trânsito com Elas, decidiu ampliar sua atuação com um novo negócio: oferecer capacitação em pilotagem segura e responsável de motocicletas, especialmente para mulheres. Um de seus públicos-alvo será formado por pessoas que precisam de apoio para superar medos, inseguranças e experiências traumáticas no trânsito.


Qualidades para a função Ana tem de sobra, pois acumula mais de 100 mil quilômetros rodados com a sua moto de 150 cilindradas, com a qual já cruzou inclusive a fronteira do Brasil com a Argentina. Além disso, sua formação em psicanálise ajudará no momento de ensinar a pilotar, como também nos de escuta emocional, e na formatação de workshops e programas progressivos que quer oferecer para levar suas clientes ao empoderamento e à autonomia no trânsito. “Tenho grandes expectativas em relação ao Ela Pilota. Sou apaixonada por empreender, foi assim que consegui mudar de vida. Quero impactar pessoas positivamente, e esse novo negócio me permitirá fazer isso”, explica Ana.


Para ela, o Trânsito com Elas foi decisivo para transformar uma ideia em um plano de negócio estruturado. A capacitação também ampliou seu repertório de ferramentas de gestão, como pesquisa de mercado, permitindo que transformasse sua intenção em ação. Agora, Ana se prepara para colocar a Ela Pilota em movimento e incentivar mais mulheres a conquistarem autonomia, confiança e liberdade sobre duas rodas.

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