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Um novo negócio é como uma nova casa: precisa de uma base sólida

Foto do escritor: Territorialize
Territorialize
1 de set.
3 min de leitura

Esse é o entendimento que guia os passos de Sherlie, empreendedora haitiana que trabalha para abrir seu novo negócio em Porto Alegre


Sherlie Datilus acredita no empreendedorismo como forma de melhorar de vida e não quer errar; por isso, buscou a capacitação oferecida pelo projeto Refugiadas Empreendedoras
Sherlie Datilus acredita no empreendedorismo como forma de melhorar de vida e não quer errar; por isso, buscou a capacitação oferecida pelo projeto Refugiadas Empreendedoras

Aos 37 anos, Sherlie Datilus já conhecia o empreendedorismo antes de chegar ao Brasil. No Haiti, trabalhava por conta própria com a compra e revenda de calçados e produtos de limpeza. Em solo brasileiro, desde 2014, construiu outra trajetória: passou sete anos em empregos com carteira assinada, até que o nascimento do segundo filho, em 2020, tornou difícil conciliar o trabalho fora de casa com a maternidade. Nesse momento, ela decidiu retomar uma atividade que já conhecia: vender por conta própria.


A inspiração veio de uma vizinha que trabalhava com cosméticos por catálogo. Sherlie começou a revender produtos de uma marca e, por alguns anos, conseguiu gerar renda com a atividade. Mas percebeu que esbarrava novamente numa dificuldade já antiga: “O meu dinheiro e o dos cosméticos nunca foi separado. As coisas não davam certo do jeito que eu administrava. Estava tudo revirado, misturado, de cabeça para baixo. E não quero mais falhar nessa parte”, conta.


Em paralelo, Sherlie também vinha avaliando o mercado. Com o aumento da concorrência no segmento de beleza e a redução das vendas de cosméticos, ela passou a buscar uma atividade com produtos de consumo mais frequente. Assim, em 2026, decidiu dar um novo passo e abrir uma loja em outro ramo.


A ideia é montar, na região do Parque dos Maias, em Porto Alegre (RS), um estabelecimento que reúna doces, salgados, embalagens, itens para festas, produtos de decoração e lembrancinhas. O novo empreendimento, porém, representa um investimento maior e, dessa vez, Sherlie não quer errar. Para se preparar, ela procurou o projeto Refugiadas Empreendedoras.


Durante a capacitação, aprendeu a separar as finanças, calcular os custos, pensar no capital necessário para iniciar a operação e prever uma reserva de emergência. Também passou a compreender que não basta ter recursos para colocar a loja de pé, é necessário saber administrá-los. “Foi um ótimo começo poder planejar o negócio. Eu pensei: meu Deus, mais uma vez eu ia fazer tudo errado, ainda bem que fiz o curso”, lembra.


Os conhecimentos já começaram a ser aplicados, com resultados positivos. Sherlie conseguiu separar o dinheiro das vendas dos recursos da família, algo que havia tentado fazer durante anos, sem sucesso. A conquista trouxe confiança para ir adiante com seu novo projeto.


“O mais importante foi quando aprendi a separar as coisas, porque antes, com tudo misturado, eu nem sabia quanto dinheiro tinha no negócio. Era muito complicado. Parecia que o dinheiro sumia. Eu me cobrava muito. Quando aprendi a separar os gastos, vi que sou capaz de me organizar e estou muito feliz com isso. Agora, confio em mim para seguir adiante com o novo negócio”, afirma.


Com o aprendizado, Sherlie passou a planejar a loja de forma cuidadosa. Já procura um ponto, conversa com fornecedores e calcula o investimento necessário. O marido, que trabalha em outra área, pretende ajudar financeiramente na abertura, mas o casal agora compreende que o retorno do investimento levará algum tempo.


Para Sherlie, essa consciência faz parte da preparação. “Eu sei que vai dar certo assim, devagar, preparando as coisas com calma”, analisa a empreendedora. Ela compara o planejamento do negócio à construção de uma casa: “É preciso uma base bem feita, porque assim não tem como cair. É como uma casa que precisa de estrutura. Com essa base, vai ser mais fácil enfrentar as dificuldades e manter o negócio de pé”.


Sherlie quer construir uma atividade que contribua para o sustento da família e, ao mesmo tempo, lhe permita ter mais tempo com os filhos. E, agora, tem mais clareza sobre os passos necessários para chegar lá. “Fico muito feliz de saber o que fazer. Porque, mesmo com o dinheiro, não adianta encher a loja de coisas; se não souber administrar, vai perder igual”, avalia.


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